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A ERA DA LOGÍSTICA
Sua evolução. Sua importancia para o Desenvolvimento.
E o por que é estudada.
É tempo da Logística, pelo Prof. Dr. Ricardo Petrissans de Aguilar.


Ricardo Petrissans

Mundo interconectado, física e tecnologicamente:

Em um mundo cada vez mais escasso de fronteiras econômicas e comerciais, ligado por sistemas de comunicações exigentes de velocidade, entregar o produto ou o serviço certo, na hora certa, ao menor custo, pode ser vital para a sobrevivência.

Um país unicamente se desenvolve quando concentra esforços verdadeiros na modernização de suas logísticas


e, as empresas, de suas operações logísticas. Sem isso, permanece relegado a segundo plano, tanto no cenário econômico como na carreira dos negócios.

A necessidade de compreender o conceito de Logística

Poucos conceitos são tão mal compreendidos no mundo dos negócios como o da logística. Envolve fatores como a inteligência estratégica, a administração da produção, a gestão dos sócios – fornecedores – clientes e o controle e elaboração eficiente da Cadeia de Abastecimento. Ao contrário da visão tradicional, logística é muito mais que transporte de mercadorias. Sua importância na última década se voltou vital para a produtividade, para a eficiência e para a rentabilidade dos negócios.

Em 1948 o total da carga transportada no mundo era de 120 bilhões de dólares. Em 2005, passou para 18 trilhões de dólares. De fato, a competitividade já nem sequer reside nas empresas, mas nas cadeias de fornecimento e na organização que essas cadeias – muitas vezes locais, outras, globais – consigam para desenvolver uma gestão harmônica em tempo, qualidade e serviços que atendam demandas cada vez mais exigentes e voláteis.

Os custos logísticos movem cerca de 3.2 milhões de dólares em todo o mundo por ano. No último qüinqüênio, a globalização colocou a logística em um novo nível. Com o aumento, definido como brutal, da circulação de mercadorias e respectivos serviços inerentes, bem como a pressão incessante pela redução dos custos versus aumento de vendas, as empresas focaram seu olhar para a importância do desenvolvimento de uma cadeia de fornecimento eficiente.

Isso implica a coordenação das diferentes partes envolvidas em um processo produtivo, desde o fornecedor da matéria prima, passando pela operação do transporte e respectivo recebimento, até o sistema de cobrança. Em certo sentido, é possível comparar os bens que circulam pelo mundo com a avalancha de informações presentes, por exemplo, na Internet. Tanto as mercadorias “físicas” como as “virtuais” estão se tornando cada vez mais complexas, exigindo das empresas uma rápida adaptação para atender um mercado em permanente mudança.

A gestão da cadeia de fornecimento envolve a compra de matérias primas, a administração de fornecedores, a recepção das mercadorias, o armazenamento dos bens, o transporte e a entrega dos produtos no menor prazo e com o menor custo possível.

Parece simples, porém, em geral, são operações complexas, que demandam conhecimento, investimento em tecnologia e inteligência estratégica. Fazer que todas essas pontas do negócio funcionem juntas e harmonicamente é o grande desafio das empresas, independente de seu porte.

Justamente é isso, junto com a visão integral da Logística, o que separa as empresas grandes das grandes empresas.

Um exemplo: a importância da logística no Brasil:

No Brasil, em 2005, a logística mobilizou aproximadamente 214 bilhões de reais em todo o país, valor que aumentou em 20%, no ano de 2006. Embora o Brasil seja um país de grande potência emergente, em logística está atrasado, o que se pode observar-se em algumas cifras simples:

a) No caso dos Estados Unidos, o custo sobre o PIB do transporte logístico é de 8%; na Europa é de 11% e, no Brasil, 12%; Índia, 13%; e China, 21%.

b) 44% de todas as empresas instaladas no Brasil utilizam algum tipo de tecnologia aplicada à logística, cifra que se eleva a 88% nos Estados Unidos.

c) A última pesquisa da Fundação Dom Cabral mostra que existem razões para ver um Brasil ineficiente no que diz respeito à logística. Cerca de 85% das empresas registraram aumento em seus custos logísticos no período 2001-2006. As principias razões: escolha equivocada dos sistemas de distribuição e transporte, somados a problemas de infra-estrutura (42%), ausência de formação de mão de obra, em sentido amplo, em toda a estrutura da pirâmide organizacional (21%), deficiências na armazenagem (11%), falhas de segurança (13%) e diversos (13%).

Em um país que nos surpreende diariamente com sua pujança econômica, com suas imensas projeções financeiras e com sua força exportadora, a logística se mostra um fator de perda de competitividade. Suas empresas absorvem custos elevados justamente por ineficiência logística. E logística é, essencialmente, conhecimento. É saber fazer e aplicar esse saber fazer.



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